VOZ DO SAMBISTA: A análise do CD 2019 do Grupo Especial – Por: Renato Moço

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UM CD DIVIDIDO

cd2019Com uma produção que prioriza as cordas e deixa os instrumentos um pouco mais baixos, pode não agradar a todos mas mostra que a Gravasamba volta a acertar no seu produto no tocante ao cuidado com as faixas.
A primeira metade do disco é recheada de grandes sambas, com exceção da faixa que abre a bolacha digital.
Beija-Flor apresenta um samba em homenagem aos seus 70 anos que não se decide se fala dos carnavais da escola ou das características dela. No final o resultado é um meio termo morno e decepcionante, com uma obra que fica muito aquém de vários outros sambas e que não demonstra a grandiosidade da agremiação de Nilópolis.
A partir da faixa da Tuiuti o cd apresenta uma sequência de bons sambas, a começar pela bem humorada obra da vice-campeã de 2018, que traz a história do bode que foi eleito vereador em forma de protesto, mas que esconde outras informações subliminares bem interessantes.


Salgueiro mostra toda a sua africanidade no forte e bom samba em homenagem ao seu padroeiro.
Portela mostra um samba de melodia emocionante para homenagear a sua querida e imortal Clara Nunes.
Mangueira traz a história de personagens importantes da história do Brasil que foram esquecidos em detrimento daqueles que são lembrados na “história oficial” do país. Um samba de letra emocionante e com a marca inconfundível da Verde e Rosa que dialoga como poucos com o momento atual do Brasil.
Mocidade pega o independente pela emoção ao falar sobre o tempo e fazer um paralelo com a sua própria história em alguns momentos.


A Unidos da Tijuca fecha a sequência dos bons sambas de 2018 falando sobre a solidariedade.
Todas essas escolas citadas até agora apresentam sambas que tem toda a condição de serem eleitas como as melhores do ano e de conquistar os prêmios e as notas máximas na avenida.
A partir da faixa da Imperatriz, a qualidade dos sambas já muda e vai tornando essa parte do cd desinteressante.
No caso da escola de Ramos, falar de dinheiro resultou num samba que tem o seu valor na sua animação para compensar a letra não tão inspirada, mas que ainda assim tem boas sacadas em alguns momentos.


Vila Isabel e União da Ilha apresentam obras que se não chegam a serem ruins, são burocráticas e esquecíveis.
São Clemente reedita o seu histórico samba de 1990 e a produção dessa nova versão do seu samba não desagrada, mas particularmente ainda prefiro a original de 1990, como quase sempre acontece com as reedições.
O samba da Grande Rio tem bons momentos melódicos que não conseguem salvar o samba da escola, fruto de um enredo pra lá de duvidoso.
O samba do Império Serrano nem é samba-enredo.
E a Viradouro encerra o CD com um samba confuso, tão esquecível quanto os de Vila Isabel e União da Ilha do Governador.
No geral o CD Sambas de Enredo 2019 não decepciona e é uma boa pedida para os amantes do gênero.
Nota 6/10

Renato Moço

*Renato Moço é pesquisador de escolas de samba e sambas enredos e autorizou a publicação.


Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

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