Série B 2017 – Confira como foi o desfile da terça-feira na Intendente Magalhães

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Já passava das 6 da manhã desta quarta-feira de cinzas quando a última escola a desfilar, a Unidos de Bangu, terminava sua apresentação na Passarela da Intendente Magalhães. O desfile das agremiações que integram a Série B, organizado pela LIESB, iniciou às 20h de terça-feira com a Vizinha Faladeira. Ao todo, 13 escolas de samba estiveram presentes, cantando e encantando o público presente. Arquibancadas cheias e concentração disputada para ver as escolas se armando e entrando na Avenida dos desfiles. Apesar das barreiras para impedir a invasão do público na área destinada aos desfilantes, em alguns momentos o pessoal da Disciplina teve que intervir para que a passagem fosse liberada.

Este ano o desfile primou pela organização e pontualidade.

A Vizinha Faladeira foi a primeira escola a desfilar, com o enredo “A última do português… A que nem Camões contaria” desenvolvido pelo carnavalesco Jean Rodrigues. Com fantasias ricas e bem acabadas, desfile compacto e belas alegorias.

Em seguida, a Caprichosos de Pilares entrou forte na Avenida, cantando muito o samba, componentes animados e bateria sustentando o desfile da escola. Desfile bonito em fantasia e alegoria. Alegoria esta, inclusive, que tomava toda a largura da Intendente Magalhães, e que teve algumas dificuldades para seguir em frente, causando alguns pequenos buracos durante o desfile. A escola acabou ultrapassando 1 minuto do tempo máximo de desfile.

Anderson Bala - intérprete da Caprichosos (foto: Edson Siqueira)

Anderson Bala – intérprete da Caprichosos (foto: Edson Siqueira)

Terceira escola a desfilar, a Unidos do Jacarezinho já chegou sendo aplaudida e ovacionada pelo público. Com um enredo interessante (“O dia em que o jacaré comeu a noite”), a escola apresentou bela estética em fantasias, bom jogo de cores. Uma marca registrada da escola, a de cantar muito seu samba, este ano parece que não se fez presente, prejudicando um pouco a Harmonia. O vento forte que soprou durante o desfile atrapalhou um pouco a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Destaque para a fantasia das baianas e a animação da ala, representando o sol.

Com o enredo “Domingo, Dominguinhos”, desenvolvido pelo carnavalesco João Vítor Araújo, a Unidos do Cabuçu fez um belo desfile, com fantasias bem acabadas e bastante colorida, fugindo um pouco do tradicional azul e branco. Azul, por sinal, que esteve presente na bela fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Yuri Pires e Mirian Jalles. O casal, elegantíssimo, foi um dos pontos altos do desfile. Encantou a Avenida e recebeu calorosos aplausos do público. Enredo bem desenvolvido, no entanto sentiu-se falta do tripé de abertura “Festa no céu”, que simbolizava o encontro de Dominguinhos com Gonzagão, conforme consta no roteiro de desfile da escola.

Ryan Vieira - Passista mirim (Engenho da Rainha)

Ryan Vieira – Passista mirim (Engenho da Rainha)

Às 23h a quinta escola iniciava seu desfile: Acadêmicos do Engenho da Rainha. O desfile foi um pouco prejudicado por problemas no som da Avenida. Destaque para a bateria comandada por Mestre Laion, que sustentou o desfile, apesar dos problemas no som. Fantasias mais simples, porém bem acabadas, simplificaram a leitura. A ala de Passistas da escola deu um show, tendo à frente o passista mirim Ian (foto), que foi aplaudidíssimo pelo público do início ao fim. Outro destaque do desfile ficou por conta do segundo casal da escola. O Engenho apresentou o enredo “Zé Keti… A voz do morro sou eu mesmo sim senhor”.

Segundo casal do Engenho da Rainha

Segundo casal do Engenho da Rainha

 

 

 

 

 

 

 

Monique Rizzeto - Tradição

Monique Rizzeto – Tradição

A Tradição veio logo em seguida, com um belíssimo enredo (“O lago dos cisnes”). Fantasias bem acabadas, alegoria suntuosa, porém com dificuldade no percurso da Avenida. O tripé que fechava o desfile acabou não desfilando por problemas nas rodas. A bateria comandada por Mestre Beto sustentou o desfile da escola. Destaque para o segundo casal da escola, Karina Lírio e Victor Hugo e a beleza estonteante da Rainha da bateria Monique Rizzeto (foto).

“Roberto Ribeiro, o menino rei” foi o enredo apresentado pela sétima escola: Unidos da Ponte. Enredo bem desenvolvido, com fantasias e alegorias mais simples, de fácil compreensão. Ponto alto do desfile, a bateria fez uma boa apresentação. O casal de mestre-sala e porta-bandeira, formado por Winnie Lopes e Johny Mattos, deu um show de leveza e bailado, sorridente durante todo o desfile.

Bateria - Unidos da Ponte

Bateria – Unidos da Ponte

 

 

 

 

 

 

 

Leão de Nova Iguaçu - Comissão de frente

Leão de Nova Iguaçu – Comissão de frente

O vermelho e o dourado foram luxuosamente predominantes no desfile da oitava agremiação: Leão de Nova Iguaçu. O enredo “Ilê Axé Opô Afonjá – O Rei está na terra”, desenvolvido pelo experiente e campeoníssimo Cid Carvalho, foi um presente para o público, que permanecia nas arquibancadas, já na madrugada de quarta-feira. Um dos pontos altos do desfile, a Comissão de frente, representando cada Orixá, arrepiou muita gente. Destaque para as belíssimas fantasias, na verdade figurinos bem trabalhados, excelente jogo de cor e materiais e tecidos nitidamente trabalhados com cuidado e pesquisa, detalhadamente confeccionados. A impressão é que cada componente incorporou os personagens que ali representavam. O samba, criticado à época da escolha,por se tratar de uma junção, foi cantado a plenos pulmões pelos componentes. O grande show ficou por conta do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola iguaçuana. Leonardo Thomé e Amandah Rodrigues encontaram a todos com sua dança. Além do belíssimo figurino, a sintonia entre os dois foi notória. A bateria, comandada por Mestre Bolinha, sustentou o desfile da escola com muita garra. Um integrante, com um prato à frente, deu um suingue maior no ritmo.

O Favo de Acari homenageou a Mangueira com o enredo “O samba não tem fronteiras, o Favo de Acari conta a história dos bambas da Mangueira”. A escola apresentou alegorias bem acabadas e com menos alas do que se constava no roteiro de desfile. A bateria, comandada por Mestre Vitor, foi o ponto alto do desfile. A fantasia era uma homenagem a Cartola. Porém, apresentou-se sem chapéu.

A décima escola a se apresentar foi a Em Cima da Hora. Com o enredo que homenageava Nossa Senhora Aparecida, a escola fez um desfile modesto. Destaque para a comissão de frente, comandada por Handerson Big, que representava o encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida com os pescadores. Em determinado momento, a canoa se transformava na representação da imagem de Nossa Senhora. Fantasias e alegorias simples e de fácil leitura, bem acabadas e com bom uso da cor e materiais. Destaque para a ala das baianas, representando Aparecida e a elegância e garbo da Velha-guarda (foto).

Ritmista - Mocidade Unida do Santa Marta

Ritmista – Mocidade Unida do Santa Marta

Com o enredo “Bip Bip, um bar a serviço da alegria. Lá onde o Samba está em casa”, a Mocidade Unida do Santa Marta foi a décima primeira a entrar na Passarela, já passando das 3h30 da manhã de quarta de cinzas. A escola se apresentou apenas com o tripé (que segundo o regulamento pode ser usado como alegoria), alegando que o carro alegórico foi sabotado na concentração, tendo os pneus furados. Com fantasias simples, da comissão de frente ao casal de mestre-sala e porta-bandeira, a escola se apresentou bem, porém acelerou seu andamento no final. Destaque para o segundo casal, que deu um show de simpatia e talento, sendo bastante aplaudido. Contrastando com a simplicidade da escola, a Rainha da bateria esbanjou luxo em sua fantasia.

Mocidade Unida do Santa Marta - Tripé de abertura.

Mocidade Unida do Santa Marta – Tripé de abertura.

 

 

 

 

 

 

 

 

Com um belo conjunto alegórico e de fantasias, além da honrosa presença do cantor Agnaldo Timóteo representando D. João VI, a penúltima escola a desfilar, Arame de Ricardo, fez um desfile de encher os olhos. Com o enredo “Ora pois, hoje o banquete é Real”, desenvolvido pelo talentoso carnavalesco Ney Junior, fantasias de fácil leitura e bom jogo de cores. Destaque para a Harmonia da escola, com andamento contínuo e componentes cantando bastante o samba.

O dia começava a raiar quando a última escola iniciava seu desfile. A Unidos de Bangu, uma das mais aguardadas, apresentou o enredo “Onde há fumaça, há fogo!”, com bastante qualidade visual, tanto em fantasias como alegorias. A abertura, com um gigante dragão, dava ideia do que estava por vir. O uso do amarelo e do vermelho foi muito bem aplicado. Destaque para o vigor e qualidade vocal do intérprete Niu Souza, que não sustentou o canto da escola, apesar de muitas horas de espera. A comissão de frente deu um show. Com muita teatralidade, o grupo representava a descoberta do fogo.

Niu Souza - a voz da Unidos de Bangu

Niu Souza – a voz da Unidos de Bangu

Já com dia claro, o desfile da Série B carioca fechava com chave de ouro o carnaval. Parabéns aos envolvidos.

Em breve, todas as fotos em álbuns exclusivos.

Texto e fotos: Edson Siqueira


Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

Capa: Monique Rizzeto (Rainha da bateria da Tradição)- foto: Edson Siqueira

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