Sem apoio da Prefeitura e de patrocinadores, desfiles da Intendente Magalhães podem não acontecer

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Com a saída do aplicativo Uber do time de patrocinadores de 2019, o carnaval do Rio sofreu mais uma baixa. A três meses do evento, as escolas do Grupo Especial foram comunicadas de que não terão R$ 500 mil a mais no orçamento. Há alguns quilômetros da Sapucaí, longe dos holofotes e da opulência do Sambódromo, a situação ainda é mais grave: sem o patrocínio, dirigentes das agremiações da Intendente Magalhães temem que não haja desfile.

Desde o ano passado, aplicava R$ 2,5 milhões na estrutura do evento, custeando a passarela, as arquibancadas e equipamentos de som e luz da Passarela dos desfiles da Intendente. Na última quinta (29/11), a empresa anunciou que a parceria, já renovada, estava rompida. Assim, além a dificuldade para captar recursos, as escolas enfrentam agora um cenário de total incerteza.

De acordo com a assessoria da Liga Independente das Escolas de Samba do Brasil (Liesb), muitas instituições sequer conseguiram iniciar os trabalhos por falta de recursos. É por isso que o galpão que serve de barracão a várias delas está, a essa altura, vazio. Segundo Brenno Araújo, presidente administrativo da Independentes de Olaria (série D), as agremiações aguardam reunião com a Liesb para debater alternativas e buscar uma definição.

Estamos com 50% pronto, mas ainda falta o principal. Nosso carro está na estaca zero e não temos mestre-sala, bateria, baianas, porta-bandeira. Não diria que estamos atrasados, mas o risco de não ter desfile existe e é nosso maior medo. Somos os mais afetados pelos cortes, porque o Grupo Especial e a Série A ainda recebem cotas de TV. A Intendente não, é só aqui e acabou – explicou Araújo.

O dirigente lembrou que a redução de 50% nas verbas públicas desde que Crivella assumiu a Prefeitura ainda afeta o orçamento. Desde então, cada escola da série D recebe R$ 20 mil do poder público, escolhendo entre um repasse direto ou uma carta de crédito aplicada ao longo do ano. Segundo Araújo, a escolha da segunda opção foi fundamental para que a escola conseguisse preparar algo até aqui, mas a verba é insuficiente.

Se a subvenção fosse completa como era há dois anos, já estaria tudo bem encaminhado e comprado, mas não temos dinheiro para mais nada e ainda estamos tentando viabilizar o resto. Contamos com a diretoria, com os recursos próprios dos fundadores, buscamos patrocínio no comércio local… Estamos sempre na luta, tirando leite de pedra pra fazer o carnaval popular que fazemos aqui. Tudo isso é muito triste com a nossa cultura – lamentou.

Em nota, o presidente da LIESB, Gustavo Barros, condenou a decisão da companhia. Ele considerou a atitude da Uber de retirar o apoio após a renovação do contrato “irresponsável e criminosa, pois todo o processo do carnaval já se encontra em fase de execução com planilhas e custos pré-definidos”. Diante da instabilidade, a Liga adiou a festa de lançamento do CD oficial dos sambas-enredo das três séries, que estava marcada para o dia 9 de dezembro.

Fonte: Jornal Extra/Hellen Guimarães


Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

Foto: Fernando Lemos

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