Mocidade Unida do Santa Marta divulga sinopse do seu enredo 2017

santamarta

G.R.E.S. Mocidade Unida do Santa Marta – Carnaval 2017
“Bip Bip, um Bar a Serviço da Alegria…
Lá onde o Samba está em Casa!”

A intenção é mostrar nossa reverência a um dos bastiões da cultura etílica e da música popular brasileira do Rio de Janeiro, com seus enormes dezoito metros quadrados, o carioquíssimo Bip Bip, e seu ilustre anfitrião, Alfredinho.

Este grande pequeno boteco de Copacabana já foi homenageado em filmes, livros e canções, mas na alegria e no ritmo do carnaval existe uma saudação necessária e ainda não explorada.

Nosso reconhecimento se manifesta na avenida mostrando um pouco da história, da chegada do Samba, do Choro e da Bossa Nova no recinto, da beleza das músicas, o apoio à cultura nacional, uma fama acidental que chama famosos e turistas, e um fundo de companheirismo e filantropia que mora no coração do bar.

Se para os cidadãos gregos a ágora era o ponto de encontro da cidade onde poderiam discutir todos os assuntos relevantes, o botequim é a ágora moderna para os filósofos contemporâneos debaterem sobre os temas que melhor couberem no momento. Entre cervejas, tira gostos e acepipes, conversas, bate-papos e discussões, as vezes falta alguma coisa. Algo para dar clima, para harmonizar o ambiente. Música, talvez. Agora imaginemos um ambiente onde a filosofia de botequim amplamente discutida se converte em boa música sendo tocada. Bossa Nova, Samba e Choro, música boa de verdade. Ora, então imaginou o Bip Bip.

Foi fundado em 13 de dezembro de 1968, mesmo dia em que foi decretado o AI-5, o decreto não só fechou o Congresso como também estabeleceu uma rígida censura no país.

Entretanto, a Bossa Nova, o Samba e o Choro, características marcantes do bar, só chegariam bem mais para frente em sua história. Assim como a cerveja. Durante muito tempo o Bip só servia batidas. Seu atual dono Alfredinho, já tinha passado de freguês para dono-freguês, mas não é o primeiro dono, não. Ele se tornou o dono em 1984, mas sua história se cruzou com a do Bip Bip ainda na juventude, no dia de sua inauguração naquele fatídico 13 de dezembro, em meio a Ditadura Militar.

Mas além de dono, Alfredo é freguês. Com barba, óculos e jeito ranzinza, Alfredinho pode assustar o novo freguês. Parece ter preguiça de tratar gente nova que chega ao bar. Vai entender…. Porém, não é só isso que define o homem. Além de uma paixão fervorosa pelo Botafogo e amor sem fim pela Mangueira, Alfredo é Comendador. Recebeu da Câmara dos Vereadores uma Comenda por sua militância em favor da cultura popular. E isso se relaciona intrinsecamente ao Bip.

A cerveja já havia se tornado parte do cardápio do botequim, sem, é claro, se desfazer das batidas. Foi mais ou menos nessa época que começaram a frequentar o bar, Cristina Buarque e seu amigo Elton Medeiros. E foi a presença deles que trouxe a música, a Bossa Nova, Samba e o Choro, para o Bip Bip, mas não foi algo imediato, levou um tempo.

E nesse um chama um, outro chama outro, e músicos, reunidos, e bebendo ainda por cima, claro que não aguentariam ficar longe de seu trabalho e da sua paixão.

Foi lá pelos idos de 1991 que a música foi começar a fazer parte da rotina do Bip Bip. Nada foi planejado, não houve um convite formal, nem era um evento do bar. Simplesmente algum dos frequentadores, que ocasionalmente era músico, puxava um violão e começava a cantar com seus amigos. E tocavam músicas boas, não as músicas comerciais da época. O amor pelo Brasil, pelo Rio e pelas belas mulheres que passaram e ainda passam por lá, são temas comuns das músicas, que estão registrados no CD “Roda de Samba no Bip Bip.

Além de cantores, o bar atrai de anônimos a famosos, jornalistas, escritores, médicos, poetas, e diversas celebridades, virou reduto de projetos culturais como o Rancho Flor do Sereno, que tem como objetivo reviver a tradição dos antigos ranchos carnavalescos, iniciativa de Nelson Medeiros; o bloco carnavalesco Bip Bip, lançamento de livros, CDs, exposição de artistas plásticos. Além de bar é uma “enorme” galeria de artes.

É também escola de música, pois se reúnem ali, músicos profissionais e amadores, numa troca de experiência digna de uma universidade.

Além da música, o Bip Bip abraça outras mídias artísticas, como filmes – para citar alguns dos documentários sobre o bar, temos o Bip Bip, e o curta Alfredinho, que foi exibido em um festival na Suíça, sendo ganhador de prêmios – e livros, Bip Bip, um bar à serviço da alegria, e Bip Bip 40 anos, histórias de um bar.

Abraçou o projeto social “Se essa rua fosse minha…”, do amigo Herbert José de Souza, o carismático Betinho, voltado para tirar as crianças das ruas, faz distribuição de cestas básicas para moradores do Pavão Pavãozinho, Cantagalo, Rocinha, Botafogo e São Gonçalo, oferece também almoço para mais de 700 pessoas no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, as latinhas cerveja que são vendidas (e são muitas) são doadas, e campanhas em favor de artistas em dificuldades, dando ao seu dono Alfredinho, o título de embaixador da solidariedade.

O Bip chama a atenção com sua estranheza familiar. Com isso, tem se tornado ponto turístico do Rio, sendo citado em diversos guias de viagens e recebendo visitas de pessoas de toda parte do Brasil, e turistas internacionais são figurinha carimbada por lá. “Meu bar parece até reunião da ONU”, diz Alfredinho.

Ao adentrar naquele pequeno ambiente boêmio, de apenas dezoito metros quadrados, sem o recorrente balcão de vidro, o desavisado não reconheceria a grandeza daquele lugar. Nem tem cara de botequim. Principalmente se passar por lá durante o dia. O Bip só abre depois das sete e meia da noite. Antes disso, é apenas uma porta de ferro anônima na rua, abaixo de um prédio residencial. Mas naquele lugar há uma magia, há um encanto, e há uma história. E nessa história cerveja, samba, choro, alegria, companheirismo e solidariedade se misturam.

Patrimônio Cultural Carioca, pelo decreto 36.605, da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, de 11 de dezembro de 2012, o qual é considerado como local de convivência democrática que traduzem o “espírito” carioca de comemorar, de reunir, de festejar.

Enredo livremente inspirado no livro – Bip Bip um Bar a Serviço da Alegria – de Francisco Genu, Luis Pimentel e Marcel Vieira.

Saulo Saúde – Carnavalesco

Deixe seu comentário