Mestre Ciça: “Eu quero a perfeição em 2017!”

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A praticamente 9 meses do carnaval 2017, Mestre Ciça, que vai para o seu terceiro ano à frente dos ritmistas insulanos, já deu início aos ensaios da sua bateria, sempre às quartas-feiras. Muito cedo? Ciça garante que não e explicou o porquê ao Ziriguidum:

-“A pergunta procede. Mas vamos lembrar o que aconteceu nesse último carnaval? Eu fiz uma mudança, resgatamos a batida da ilha, como todo mundo sabe, apesar de não ter nada a ver com meu perfil e minha identidade. Fizemos um desfile maravilhoso, legal, tranquilo. Mas eu, particularmente, no meu modo de ver, eu achei que poderia ter sido ainda melhor. Eu quero a perfeição! Eu quero a qualidade chegando no limite máximo! A bateria da Ilha tem muita garotada, muito garoto novo. Então eu pensei: vou começar esse ano mais cedo porque nós vamos ter pela frente as Olimpíadas, que vão atrapalhar muito os nossos ensaios, temos as eleições, que querendo ou não, sempre atrapalham em alguma coisa, disputa de samba enredo, uma série de coisas. Então, começando cedo, a rapaziada já vai sentir a pulsação e quando chegar lá no mês de janeiro estará pronta. Eu sei que é cedo, mas é uma precaução. Se eu tivesse com uma bateria na mão, de 5 ou 6 anos, eu estaria tranquilo. Digamos que estamos nos 99%. Esse 1% que me incomoda, que dá uma certa insegurança. Claro que confio neles. Sei que irão pra avenida e vão fazer o melhor, mas é sempre bom a gente treinar. Sei que às vezes atrapalha um pouco, mas pelo que foi visto no primeiro ensaio, já se percebe a alegria das pessoas, que estavam doidas pra recomeçar. Na verdade eles me ligavam perguntando quando ia recomeçar.. A tendência é que a cada quarta-feira isso aqui encha cada vez mais de ritmista, mas a gente vai focar nas qualidades.

Questionado sobre a afirmação de que a bateria “salvou” a escola e foi a grande responsável pela permanência dela no Grupo Especial, Ciça discorda:

-“Eu não concordo muito. A bateria colaborou para a escola fazer um grande desfile. Na minha opinião o chão do desfile da escola foi maravilhoso, mas a bateria não “salvou” a escola. O que existiu foi um trabalho em conjunto, o Ito cantou muito, as alas da comunidade foram primordiais, cantaram muito. Eu poucas vezes vi  uma comunidade cantar tanto como a Ilha cantou esse ano. E olha que sou rodado em escolas, hein. Parece que ela entrou “mordida”, com raiva na avenida pra mostrar que a escola tem comunidade, e cantou de verdade. A bateria colaborou para que a escola fizesse um bom desfile. Quando acerta, acerta todo mundo. Quando erra, erra todo mundo. A bateria teve uma performance boa? Teve, claro, todo mundo viu. Mas a rapaziada da escola somou muito.

A química entre Ciça e Ilha

Ciça, que vai para o terceiro ano à frente da BaterIlha, parece que caiu nas graças da comunidade e dos componentes. Basta observar seu entrosamento com todos, seja na quadra ou pelas ruas do bairro. Mas por que será?

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-“Parece que estou há 10 anos na Ilha né? (risos) Eu também me pergunto isso, a minha família se pergunta…Acho que foi uma química que rolou né? Eu costumo dizer que a Ilha me lembra muito minha época de Viradouro. A Ilha tem um perfil muito parecido com o da Viradouro, de escola família, de comunidade, isso facilitou muito. Eu me identifiquei muito com a Ilha, de verdade. A ponto de eu querer morar na Ilha, algo que nunca pensei na vida. Nunca pensei morar em Niterói ou Caxias, mas na Ilha  sim. Eu não conhecia o bairro e adorei. Eu passo a maior parte do meu tempo aqui. Até minha família quer vir morar na Ilha. Meus familiares gostaram muito da União. Eu acho a comunidade da Ilha maravilhosa, as pessoas são maravilhosas comigo, me respeitam muito, o que pra mim é uma das coisas mais importantes.  O povo da Ilha acreditou no meu trabalho, mesmo que no primeiro ano o trabalho não tenha sido 100%, foi difícil o trabalho. Mas o presidente Ney e o vice Djalma Falcão acreditaram que seria possível fazer um trabalho melhor ainda e me mantiveram aqui na escola. Essa é uma das minhas gratidões pela diretoria da escola. E eu não trabalho sozinho, eu tenho uma diretoria comigo, essa rapaziada de bateria, pois ninguém faz nada sozinho. Se não fossem eles e nossos ensaios quase que diariamente aqui, talvez não tivesse dado tão certo. Esse resgate da bateria foi fundamental, pois fez com que as pessoas se aproximassem mais de mim. Eu confesso que sou uma pessoa difícil, pela minha timidez, e algumas pessoas acabam pensando que sou “marrento”. Mas na verdade esse é meu jeito de ser. Quem me conhece, que está junto de mim no dia a dia sabe que é exatamente o contrário. Sou família, gosto de almoçar com os diretores, me sinto em casa. Estou muito feliz em estar aqui e quero me manter ainda por muito tempo.“, revela ele.

“Eu estou muito feliz na Ilha”

Logo após o carnaval 2016, muita gente ficou com receio de que a União da Ilha perdesse Mestre Ciça para outra escola. Mas será que ele chegou a cogitar isso?

-“Olha, sinceramente, não cheguei a me aprofundar nesses assuntos porque a minha intenção e minha vontade eram a de continuar à frente da bateria da União da Ilha. Primeiro por conta da rapaziada maravilhosa da bateria, e claro, pelo Dr. Ney e Djalma Falcão terem acreditado no meu trabalho desde o início. Se fossem outros, talvez tivessem me dispensado no primeiro ano. Então não seria justo da minha parte fazer isso. A Ilha me dá tranquilidade para fazer meu trabalho. Não é qualquer escola, por exemplo, que você consegue fazer um ensaio desse que a gente pode fazer aqui. Muitas pessoas perguntavam se eu ia sair, mas eu estava tranquilo. A certeza que eu tinha é que eu continuaria, então nem fiz questão de procurar saber sobre isso. Às vezes o dinheiro não é tudo. A Ilha e as pessoas da Ilha me cativaram. Eu estou muito feliz na Ilha, obrigado!“, revela.

A procura pra sair na bateria da Ilha é grande. É muito difícil conseguir uma vaga, mas não impossível.

Segundo Mestre Ciça, não há intenção de mudanças na bateria para 2017. A princípio, o número de ritmistas será mantido: 280. Mesmo assim, a procura por uma vaga na BaterIlha é grande, mesmo sabendo que é uma missão quase impossível.

-“Se a pessoa tiver qualidade, se destacar, claro que pode vir a desfilar. Eu quero craque jogando no meu time, mas tem que vir ao ensaio! Dedicação e perseverança são as palavras de ordem. A rapaziada que desfilou em 2016 correspondeu muito bem. Mas quem sabe não pinta uma vaga? Tem que vir aqui, tem que se mostrar, para que eu e os diretores possamos ver, avaliar, aprovar. A gente tem uma escolinha aqui, às terças-feiras, ministrada pelo Keko e pelo Bigode. Inclusive tivemos até pessoas da escolinha tocando hoje no ensaio. Ela já me dá frutos para isso. Então quem quiser participar, tem que se fazer presente. Mas sem esquecer que não é fácil. E fico feliz em falar isso, sabe? Porque quando cheguei aqui foi difícil arrumar componente pra desfilar. Tive que trazer gente do Estácio, de Caxias, de Niterói, fazendo uma junção pra conseguir desfilar. Esse ano não! É importante ressaltar que atualmente 90% dos integrantes da bateria são de moradores da ilha. Isso é uma vitória pessoal minha. Não tem dinheiro que pague isso.“, desabafa emocionado.

Ciça faz questão de deixar uma mensagem para os componentes e comunidade da Ilha do Governador:

-“Minha mensagem aos insulanos, como o pessoal gosta de ser chamado né? (risos) é a que eles acreditem no trabalho da escola, na bateria,  em todos os segmentos da agremiação. E as pessoas que estão afastadas da Ilha, inclusive ritmistas da época do Paulão, do Odilon, do Riquinho, que retornem, nós estamos de braços abertos para receber todos, desde que saibam chegar. Venham presenciar a alegria que essa bateria está. Não foi fácil chegar até aqui. Eu sou de uma outra comunidade, e consegui unir essa bateria. Eu vou falar em nome da bateria: acredite no nosso trabalho, sempre acreditando na escola, nesse chão maravilhoso. A Ilha tem muita força. Algumas pessoas ainda não se deram conta disso. Quem fala isso é um cara que está há mais de 40 anos no carnaval. Já passei por várias escolas, frequento várias escolas. A Ilha tem que acreditar no chão que ela tem. Eu fiquei emocionado com o que eu assisti depois no vídeo do desfile. Como essa escola cantava! 

E podem esperar que em 2017 a bateria vai vir sacudindo novamente, pelo trabalho que estamos fazendo aqui no dia a dia. Eu garanto!“, finaliza.

Ciça e seus diretores

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Entrevista concedida a Edson Siqueira

Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

Fotos: Edson Siqueira

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