Confira a sinopse do enredo da Acadêmicos do Engenho da Rainha para 2017

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G. R. E. S. ACADÊMICOS DO ENGENHO DA RAINHA – CARNAVAL 2017

ENREDO: “ZÉ KETI… A VOZ DO MORRO SOU EU MESMO SIM SENHOR!”

JUSTIFICATIVA

Zé Kéti: É uma história de liberdade criativa do nosso enredo “ZÉ KÉTI… A VOZ DO MORRO SOU EU MESMO SIM SENHOR!” é uma afirmação aonde o próprio homenageado vem dizer e afirmar que ele é o samba e o samba faz parte dele e torna possível reviver a vida e as obras deste grande compositor e artista, ao mesmo tempo em que apresenta a própria história do samba. De fato, a história de Zé Kéti se confunde com a do próprio samba, tão forte foi a sua identificação com esse gênero musical. Impressiona a personalidade deste sambista carioca, sua sensibilidade pela vida, sua autenticidade e liberdade diante de tudo e de todos.

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Eu sou o samba

A voz do morro sou eu mesmo sim senhor

Quero mostrar ao mundo que tenho valor

Eu sou o rei do terreiro

Eu sou o samba

Sou natural daqui do Rio de Janeiro

Sou eu quem levo a alegria

Para milhões de corações brasileiros

Salve o samba, queremos samba

Quem está pedindo é a voz do povo de um país

Salve o samba, queremos samba

Essa melodia de um Brasil feliz.

(Zé Keti)

 

SINOPSE

Entre tantos compositores sou o Zé, poderia ter sido mais um Zé nesta minha caminhada, mais um negro qualquer. Mas, quem teve a bênção de ter Flores nascido e, em nome de Jesus, Nosso Senhor, consagrado, e foi embalado pelas melodias, ritmos e cantorias do meu avô João e meu pai Josué, tive como destino construir poesia e espalhar por este mundo de meu Deus a palavra em forma de canção.

Nasci em Inhaúma terras que já foram sesmaria da antiga Freguesia de N. Sra. da Apresentação do Irajá, depois chamou-se Fazenda de São Thiago de Inhaúma. Vizinho do atual Engenho da Rainha. Terra da nossa Primeira Academia do samba.

Cresci na casa do meu avô, lá pelos lados do Rio da Prata, atual Bangu. Mas foi em Oswaldo Cruz que me fiz sujeito de fato.

Em Dona Clara me aprumei: terra de bambas, da Turma do Muro da Portela, lugar dos maiores versadores carioca. Onde em 1945, passei a fazer parte do grupo de compositores da Portela – escola que mais tarde assumi como minha de coração.

Ensinaste-me que samba bom e bonito tem os pés e o pescoço ocupados e é onde a poesia “se espalha pelo chão”.

Aprendi que o samba haveria de dominar o mundo da maneira mais bela e feliz: como uma bela celebração a partir dos morros, favelas e subúrbios.

Em 1939, fui pela primeira vez ao Café Nice, que era o ponto de reunião da vida artística carioca. Lá conheci várias personalidades. Em 1943, criei minha primeira marchinha carnavalesca: “Se o feio doesse”. Em 1946, Gravei minha primeira composição o samba “Tio Sam no samba”.

Em 1960, conheci Luiz Paulo Nogueira, filho do senador udenista Hamilton Nogueira. Responsável pela revitalização do samba, na época em que surgiu a bossa nova. Então de Zé Quietinho ou Zé Quieto que eram meus apelidos de infância, virou Kéti porque a inicial K do meu nome artístico era a letra que na época era vista como de sorte, nomeava estadistas como Kennedy, Krushev e Kubitscheck. Eu mesmo divulguei a nova versão numa de minhas falas no meu Show no teatro Opinião, estrelado por mim ao lado da querida Nara Leão e do querido João do Vale.

Fui fazer outras artes: Cinema Novo, teatro de protesto, fazer valer ao mundo que o Rio da Zona Norte, dos morros e favelas, ferve em criatividade e tem, sim, senhor, Opinião.

Atento ao meu povo e ao meu tempo, o samba mostrou-se uma verdadeira maneira de me expressar. Cantando principalmente o morro, seus moradores e os problemas do Rio. Não nasci no morro, mas tive a oportunidade de ali conviver por um tempo, ou mesmo sempre frequentar. Assim, passei a compreender este universo marginalizado. Em minha música “Acender as velas”, por exemplo, denunciei a miséria que matava as crianças, em vista da desassistência e dificuldades.

É claro que hoje o morro não é bem assim. Os problemas são outros. No meu samba “Os Tempos Mudaram”, denunciei a criminalidade, que, aliás, persiste até os dias de hoje.

São muitas obras deixadas por mim, sempre fui sensível e muito ligado ao mundo que me cercava.

Hoje da minha paz celestial vejo que muita coisa não mudou, Esses dois sambas que citei aqui são exemplos disso, mas que dão bem a grandiosidade dessa realidade.

Pelas forças do nosso povo brasileiro, o samba não parou de se renovar e de sempre voltar, cada vez com mais força. Assim também nasceram as primeiras escolas de samba, que passaram a ser a expressão máxima do maior festival de samba no Brasil e no mundo. O nosso samba também está no ritmo envolvente dos pagodes, do partido alto, das rodas de samba!… Seja nos terreiros, nos quintais, nas avenidas, essa força infinita garante: Que o show tem que continuar!

Despertando novas paixões, embalando multidões, levando alegria, magia, poesia a milhões de corações, o samba é forte, é guerreiro… A identidade do povo brasileiro! Eu sou o samba…

E hoje, o tambor do samba é o nosso coração, que marca o ritmo puro dessa contagiante alegria… Afinal, estamos na primeira academia do samba!

A nossa força é a energia que vem do samba!

E hoje para minha grande felicidade me sinto muito orgulhoso por minha história ser contada e cantada na Avenida pela Primeira Academia do Samba, que de certa forma presta também uma grande homenagem ao samba e assim consolidar meu nome com esse ritmo tão mágico e vibrante!

Vem brincar comigo! Sigo pelas suas Ruas, encantadoras ruas, quem sabe atrás de um amor mascarado.  Leviano é o amor ausente de amantes.

Por aonde vou?

Se alguém perguntar por mim, diz que fui por aí…

Autoria: Dy Fernandes

Pesquisa e Texto: Dy Fernandes e Rogério Rodrigues


Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

Foto: divulgação

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