Carnaval 2019: confira como foi a primeira noite do Grupo Especial carioca

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O domingo de carnaval foi de temporal horas antes do início da primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio, o que fez com que a LIESA atrasasse em pelo menos 30 minutos a largada da festa. A noite contou com belas surpresas, inovações e falhas inesperadas.

O tradicional Império Serrano levou pra Avenida um enredo baseado na música de Gonzaguinha “O que é o que é”, e se utilizou dela para seu “samba enredo”. A ideia era de explicar o conceito de criação. Com sérios problemas de verba para confecção do seu carnaval, a escola se deixou pecar na finalização de suas fantasias e alegorias.

Retornando ao Grupo Especial em 2019, a Unidos do Viradouro foi o primeiro impacto da noite.  Com uma grande abertura feita pela comissão de frente, a escola apresentou belíssimo trabalho plástico. O público foi levado para um universo de magia, em um enredo claro e bem desenvolvido. A bateria de Mestre Ciça (que veio fantasiado de Mago Merlin) deu um show, conforme já se esperava. O público aplaudiu a escola do início ao fim.

Acadêmicos do Grande Rio

Acadêmicos do Grande Rio

A terceira escola a desfilar, a Grande Rio, teve a difícil missão de passar ainda com o público extasiado com a performance da Viradouro. Falando sobre os maus hábitos e o “jeitinho” brasileiro, a escola de Caxias trouxe para a Avenida alegorias impressionantes e tecnológicas, além de fantasias bem resolvidas e de bom gosto. Apesar da parte plástica surpreendente, e o bom andamento da escola na Sapucaí, a agremiação não empolgou tanto o público, que não correspondeu ao samba-enredo da escola.

Modelo Ruan Mendes no Salgueiro

Modelo Ruan Mendes no Salgueiro

A Acadêmicos do Salgueiro, a mais esperada da noite, com seu enredo sobre Xangô, teve a missão de reacender a Sapucaí. E conseguiu. O Salgueiro fez um lindo passeio sobre o sincretismo religioso com várias ligações sobre um dos deuses mais clamados das religiões afro-brasileiras, realizando um ótimo desfile. Belas alegorias, fantasias de extremo bom gosto e materiais de efeito e bom jogo de cores, a vermelho e branco foi muito aplaudida pelo público presente no Sambódromo. A abertura em prata, branco e preto deu um requinte a mais ao tema. Um belo time masculino, os “Negões do Salgueiro”, tendo entre eles os modelos Ruan Mendes e Raphael Horst (fotos), veio no abre-alas, provocando frisson por onde passou. O A escola tijucana foi, efetivamente, um dos destaques da noite.

Modelo Raphael Horst no Salgueiro

Modelo Raphael Horst no Salgueiro

 

 

Coube à campeã de 2018 o papel de se sobrepôr ao sucesso da apresentação do Salgueiro. A Beija-Flor buscou na sua própria história o motivo para abocanhar o bi. Com homenagem aos seus 70 anos, a escola de Nilópolis trouxe para a Avenida um enredo que exaltava seus Carnavais. Fantasias bem feitas, luxuosas como sempre, e alegorias bem elaboradas, os componentes passaram animados, mas o samba-enredo acabou não empolgando.

 

 

 

 

Cláudia Raia na Beija-Flor

Cláudia Raia na Beija-Flor

 

 

A atriz Cláudia Raia (foto), passou por um susto na Concentração, quando um repórter subiu no carro onde ela estava, sem avisar, para entrevistá-la, e acabou sendo retirado pelos seguranças da escola. Refeita do susto, Cláudia posou para fotos. Destaque para a ala das Baianinhas, com linda fantasia inspirada no enredo “Bidu Sayão e o canto de cristal” de 1995. Não podemos deixar de frisar a gentileza e simpatia de sempre do casal Selminha Sorriso e Claudinho.

 

Beija-Flor e a ala das baianinhas

Beija-Flor e a ala das baianinhas

Simone Drumond e a coroa da Imperatriz

Simone Drumond e a coroa da Imperatriz

Com um samba super animado, bem humorado e totalmente carnavalesco, a Imperatriz Leopoldinense foi a sexta escola a entrar na Sapucaí. Falando sobre um tema que desperta a atenção, o dinheiro, a escola viu seu desfile começar a desmoronar já na Armação, com um problema no Abre-alas, que acabou prejudicando sua entrada e consequentemente  o andamento da escola na pista. O enredo, de fácil leitura e apelo popular, apresentou fantasias jocosas e coloridas, no entanto, algumas alas entraram sem chapéus e outras sem costeiros e adereços de mão. Muitas delas despencando já no Setor 1. As alegorias, bastante cenográficas, bem acabadas e bem iluminadas. Destaque para o carro do Navio Negreiro e a exuberância da fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Mas os problemas não tiraram o brilho da Verde e Branca, que passou fazendo uma grande crítica social com as desigualdades provocadas pela concentração financeira, uma bela sacada da dupla de carnavalescos.

 

“Cada macaco no seu galho. Ó, meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome”. Este foi o enredo apresentado pela última escola: a Unidos da Tijuca. Já com dia claro e arquibancadas bem vazias. Impulsionada por uma comunidade valente, a escola do Borel deu aula de Harmonia e Evolução. O show de canto e dança, amparada pelo ótimo desempenho de sua bateria Pura cadência e excelente atuação do intérprete Wantuir, não há dúvidas que a Tijuca briga pelas primeiras posições na Quarta-feira de Cinzas.

Unidos da Tijuca

Unidos da Tijuca


Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

Fotos: Edson Siqueira

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