Carnaval 2019: confira como foi a primeira noite da Série A carioca

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Água não faltou no desfile

Água não faltou no desfile

O temporal que caiu na noite de sexta-feira de carnaval no Rio, por volta das 20h30, quase bota tudo a perder para as sete primeiras escolas da Série A. Teve de tudo: raios, trovões e pista inundada à altura das canelas.

Escolas prejudicadas pela enxurrada na Concentração acabaram ainda por ficarem desfalcadas de componentes e até de destaques e composições de alegorias. Tantos problemas fizeram com que pelo menos 3 escolas estourassem o tempo de desfile de 55 minutos: Alegria da Zona Sul, Santa Cruz e Unidos de Padre Miguel.

Marcado para iniciar às 22h30, a primeira escola de samba a se apresentar, a Unidos da Ponte, acabou entrando somente por volta das 23h, mesmo com chuva intensa.

A volta da escola de São João de Meriti à Sapucaí, que matou a saudade que as pessoas tinham dela no palco maior, se juntou com a vontade de quem quer permanecer no Grupo. Com a reedição do enredo “Oferendas” de 1984, a escola mostrou garra diante da adversidade. Um dos pontos altos foi o show da bateria da escola.

A Alegria da Zona Sul com muitas dificuldades, fantasias e alegorias prejudicadas, lutou para se apresentar com dignidade. A Acadêmicos da Rocinha, que entrou na Avenida e a chuva apertou ainda mais, fez uma apresentação muito melhor do que no ano passado, embora o tom do samba mais baixo que o normal prejudicou o andamento do desfile. As alegorias, de uma certa forma, resistiram bem ao dilúvio na Concentração.

Acadêmicos da Rocinha

Acadêmicos da Rocinha

A Acadêmicos de Santa Cruz, que teve problemas no início do desfile, apresentou bom acabamento nos carros e nas fantasias, idealizadas por Cahê Rodrigues (ex Imperatriz), emocionou com o enredo em homenagem à atriz Ruth de Souza. Os componentes cantaram, a plenos pulmões, o samba que é considerado o melhor do Grupo, e que deu certo na Avenida. Apesar da boa apresentação, a Santa Cruz acabou estourando o tempo de desfile em 2 minutos e deve perder 0,2 décimos na pontuação.

A Série A se deparou com uma Unidos de Padre Miguel abaixo do que se esperava. Para quem aguardava um desfile opulento como os últimos anos, acabou ficando frustado. As alegorias da escola foram vítimas do temporal na Concentração e o abre-alas perdeu muitas esculturas que dariam maior volume. Algumas outras esculturas, também danificadas, não tiveram tempo hábil para conserto. A comunidade cantou forte o samba. Uma coisa não mudou: o show de belas Musas da escola. Pra ninguém botar defeito.

Alegoria - Unidos de Padre Miguel

Alegoria – Unidos de Padre Miguel

A Inocentes de Belford Roxo entrou na Avenida e a chuva já estava mais fraca, o que permitiu que as fantasias se apresentassem secas e volumosas, como as dos destaques por exemplo. Alegorias muito bem acabadas, mas a escola parecia um tanto quanto cansada, apesar do samba magistralmente cantado por Nino do Milênio.

Ritmista - Acadêmicos do Sossego

Ritmista – Acadêmicos do Sossego

Assim que a última escola a entrou na Sapucaí, a Acadêmicos do Sossego, já às 5h25 da manhã, a chuva parou. Parece que a Fé, tema principal do enredo, foi forte e a natureza obedeceu. A azul e branco chegou acordando quem já estava pensando em ir embora. A abertura do desfile, com uma faixa com uma mensagem ao Prefeito dizendo “Respeitamos a religião do prefeito Marcelo Crivella e queremos respeito com o carnaval” já dava o tom do que viria a seguir. A bateria comandada por Mestre Laion deu um show, animando seu componentes, apesar de tantas horas de espera. Alegorias e fantasias visivelmente melhores do que as do ano passado, com bom gosto e bom acabamento. A escola do Largo da Batalha não sofreu com a falta de componentes.

Última alegoria da Sossego com escultura alusiva ao ex-prefeito Eduardo Paz como Buda

Última alegoria da Sossego com escultura alusiva ao ex-prefeito Eduardo Paz como Buda

Após o vazamento da polêmica escultura da última alegoria, em que o prefeito supostamente aparecia como o diabo, a Sossego decidiu retirar a imagem para evitar um processo judicial. Para transmitir a mensagem, no entanto, a escola colocou uma imagem do ex-prefeito Eduardo Paes como Buda. (foto)

 

 

Uma observação importante: das sete escolas da primeira noite, apenas a Unidos da Ponte e  a Acadêmicos do Sossego passaram com os carros iluminados. As demais tiveram problemas.

Diante de tantas dificuldades, ficou difícil eleger a “melhor” ou a “pior”. Certo é que se não tivesse caído a água que caiu, certamente teríamos desfiles melhores e até mais animados por parte da arquibancada, que tava toda ensopada, mas que não arredou o pé.

Que venha a segunda noite, sem chuva, se possível.


Redação Ziriguidum: contato@ziriguidum.net.br

Fotos: Edson Siqueira

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